Ato I
Tinha acabado de chegar ao local. Iria pegar a primeira cerveja da noite. No caminho até o bar os olhares se cruzaram pela primeira vez. Mas o outro olhar pareceu acompanhado E estava. Focou-se então na cerveja.
Mas os olhos continuavam cruzando-se. No caminho, para lá e para cá, um esbarrão, de novo o olho no olho. Esqueceu-se de que quem lhe interessava tinha companhia. A correspondência dos olhos era fato e inevitável.
Comentou com o amigo, que concordou sobre o que o outro também via. Era de interesse dos olhares que se cruzavam. E depois de um tempo ficou mais claro.
Divertia-se com os amigos, até meio alheio ao que acontecia ao redor, notou novamente a passagem daqueles dois olhos que lhe encaravam e que junto com o resto do corpo acabaram sentando-se praticamente ao seu lado. Começou o flerte, depois de um gole na cerveja, com um leve toque em seu braço, acariciando de leve sobre a camiseta vermelha de manga comprida.
O braço não se afastou. Era um sinal mais evidente. Mas ainda não tinha coragem de conversar. Não sabia o que dizer, o que perguntar, onde colocar a mão. Continuou a acariciar e agora não só os olhos faziam parte do flerte. Além das mãos, havia um sorriso. Sorriso malicioso, convidativo, mas ainda não tinha coragem de falar.
Os olhos cansaram-se de esperar. O sorriso levou-se e saiu em direção aos amigos e a camiseta vermelha era vista pelas costas, indo, não muito longe dali. Achou que teria perdido a chance. Pensou e reprimiu-se por dentro pedindo a si mesmo que depois não reclamasse que a vida lhe era injusta. Esta ali, ao seu lado e nada vez. Amaldiçoou pela centa vez sua timidez.
Numa nova cerveja, a amiga, que conhecia há apenas dois dias, falou-lhe algo que lhe deu ânimo. Fez-lhe sentir-se bem. "Ouvi dizer que você se acha feio. Pode parar com isso. Você é muito bonito e, não, isso não é um xaveco". Aquilo tocou-lhe, talvez ela nem tenha percebido como e de que maneira, mas era o impulso mais preciso de que ele precisava. Pensamentos para que a vida lhe desse uma nova chance sobrevoavam sua cabeça. E a vida, generosa, deu.
Meio que por mágica, voltou pra perto e sentou-se em outra cadeira, bem de frente. Novos olhares e sorrisos maliciosos. Uma certa incomodação pela demora, um passo à frente, um gole na cerveja, um olhar, um sorriso, mais um passo e um trident. Do outro bolso surge um halls.
***
- Oi! Acho que cansei de só te olhar. Uma hora alguém precisava vir conversar né?
Risos dos dois lados.
- Puxa a cadeira, senta ai. Tudo bom?
- Tudo bem e com você?
- Tudo certinho também.
[apresentações nominais]
- Você é de onde?
- São Paulo, mas minha família é daqui e vc?
- Daqui mesmo. Que você faz?
- Sou jornalista freelancer e vc?
- Eu trabalho. Sou da área societária de uma empresa aqui. Vou a São Paulo pelo menos uma vez por mês.
- Que legal. Gosta de lá?
- Até gosto, mas já fui assaltado duas vezes. Roubaram meu celular. Quer dizer, na primeira roubaram, na segunda eu fugi. Mas acabei tropeçando enquanto corria e passei o dia seguinte todo ralado e com dores. Mas pelo menos fiquei com o cel. Hehehe. Quantos anos você tem?
- Chuta. Vamos ver se acerta.
- Ah, se você já é formado e trabalha, você tem mais de 22. Vou te dar 23 anos.
- Quase. 24. 25 em novembro. E você quantos tem?
- Adivinhe também então.
- Ah, eu acho que você tem cara de ter uns 22. Deve ser mais jovem que eu.
- Ahauhauahuahauahu, quem me dera. Tenho 28.
- Nossa não parece mesmo.
- Peraí. Vou ali avisar meu amigo que estou aqui com você.
***
[algumas zoeiras e muitas risadas dos amigos dizendo-lhe que havia levado um bolo e que ia ficar ali esperando realmente sentado, eis que surge, em meio ao povo, o olhar e o sorriso de volta]
- Oi, voltei. Seus amigos parecem ter achado graça...
- É, eles são engraçadinhos mesmo. Vieram me encher o saco, pra variar.
Beijo. Gostoso, encaixado.
Risos ao fundo. Os mesmos amigos. Não perceberam onde estava a graça. Abstraíram.
Beijo.
- Que pena que você não mora aqui.
- Mas você vai todo mês pra Sampa. Já é algo bom. Risos dos dois lados.
- Vai ver alguma peça amanhã?
- Vou mas não sei o nome. Meu amigo foi quem comprou. Mas é às nove e meia.
- A minha também. Quem sabe não é a mesma, né?
- Quem sabe. Tá ficando onde aqui?
- Tô na casa de um desses amigos bestas aqui atrás.
***
Beijos
***
[os amigos que acham graça querem ir embora]
- Bom, preciso ir que estou de carona.
- Meus amigos também querem ir em breve. Já me fizeram sinal.
- Então de repente a gente se vê na peça amanhã. Me dá seu telefone?
- Claro, anota ai e dá um toque no meu que já fico com o seu também.
[troca de números feita]
- Então tchau.
- Me liga amanhã à tarde, tá?!
- Podexá. Ligo sim.
***
Beijos
Fim do Primeiro Ato.
domingo, 26 de julho de 2009
sábado, 11 de julho de 2009
Sobre as formas de se dizer que ama
I love you, je t'aime, eu te amo e tantos outros não dizem a mesma coisa
Ontem conversava com um amigo na net e diante de uma brincadeira, começamos e conversar sobre falar "eu te amo". Eu dizia que ele me amava, e ele escrevia "i love you". Começamos a discutir sobre as formas de se dizer a alguém que ama, seja amor de amigo, de irmão, de marido, de mulher, enfim, de um sentimento entre duas pessoas.
Cheguei à conclusão de que dizer "eu te amo", como todo mundo sabe, não é das coisas mais simples da vida. Quando ele me escreveu "I love you", fiz ele escrever em português. E foi ai que tudo começou. Porque dizer sobre tamanho sentimento na sua língua pátria é algo complexo. Parece que "eu te amo" diz mais que "i love you", e realmente diz.
Em português, aos falantes da língua, "eu te amo" soa mais verdadeiro do que um "i love you" ou que um "je t'aime". Soa mais profundo. Não quero dizer que ele me amava menos ou com menor intensidade ao escrever em inglês, mas o fato lhe tirava a responsabilidade sobre o que dizia. Comentei sobre essa minha visão da coisa com esse meu amigo. Ele não entendeu a complexidade. Ou melhor, acho que entendeu, mas se fez de desententido... ou sei lá, preferiu não achar que eu estava duvidando de seu sentimento e eu realmente não estava. Mas que tudo fazia sentido, fazia.
A partir daí, minha cabeça já toda ligada numa discussão interna sobre o caso, comecei a pensar ainda mais sobre. Como era dífícil para alguns dizer "eu te amo", como era difícil inclusive para mim. Eu disse isso ao vivo para no máximo cinco pessoas. Acho pouco. Queria poder dizer mais, mas não consigo. Acho que banaliza quando dito demais, ou então quando dito logo de começo, acho falso. Acho que tenho problemas com "eu te amo", hehe.
Voltando ao fato que deu início a esses pensamentos, tentei fazer meu amigo dizer que me amava em português. Ele não titubeou e nem enrolou, mas usou algo que mais uma vez me fez pensar. Realmente não era difícil só para mim, parecia ser geral. Eis que ele escreve "amo-te". Perai, cadê o sujeito da frase? Cadê o EU que seria a particula que deveria me fazer realmente acreditar que ele tava dizendo algo que vinha mesmo de dentro e com verdade? É, parecia um "tá bom eu te amo, mas tenho vergonha de dizer e contente-se com isso, que já me é complicado falar. Amo-te." Mas era pelo menos em português. E eu sabia que era real.
O fato é que realmente me parece mais simples e descompromissado um "i love you". Sei lá, me parece não carregar a mesma emoção, não parece esboçar verdadeiramente o sentimento. Posso olhar um estranho na rua e dizer "i love you". Mas jamais conseguirei dizer "eu te amo". Muito menos olhando nos olhos. Nunca. Acho que da mesma forma acontece com brigas. A força dos xingamentos não é a mesma. Brigar em inglês dá a impressão de que a gente sempre sai perdendo. No caso do "i love you", saímos os dois perdendo.
Na verdade, eu acabei ganhando, ganhando um "i love you", um "amo-te" e uma discussão sobre o tema. Há tempos não tinha me posto a pensar profundamente em algo. Eu que tenho problemas com amores, me pego pensando em formas de se dizer que ama. Talvez tenha me feito bem. Espero que sim. Acho que fez.
Ontem conversava com um amigo na net e diante de uma brincadeira, começamos e conversar sobre falar "eu te amo". Eu dizia que ele me amava, e ele escrevia "i love you". Começamos a discutir sobre as formas de se dizer a alguém que ama, seja amor de amigo, de irmão, de marido, de mulher, enfim, de um sentimento entre duas pessoas.
Cheguei à conclusão de que dizer "eu te amo", como todo mundo sabe, não é das coisas mais simples da vida. Quando ele me escreveu "I love you", fiz ele escrever em português. E foi ai que tudo começou. Porque dizer sobre tamanho sentimento na sua língua pátria é algo complexo. Parece que "eu te amo" diz mais que "i love you", e realmente diz.
Em português, aos falantes da língua, "eu te amo" soa mais verdadeiro do que um "i love you" ou que um "je t'aime". Soa mais profundo. Não quero dizer que ele me amava menos ou com menor intensidade ao escrever em inglês, mas o fato lhe tirava a responsabilidade sobre o que dizia. Comentei sobre essa minha visão da coisa com esse meu amigo. Ele não entendeu a complexidade. Ou melhor, acho que entendeu, mas se fez de desententido... ou sei lá, preferiu não achar que eu estava duvidando de seu sentimento e eu realmente não estava. Mas que tudo fazia sentido, fazia.
A partir daí, minha cabeça já toda ligada numa discussão interna sobre o caso, comecei a pensar ainda mais sobre. Como era dífícil para alguns dizer "eu te amo", como era difícil inclusive para mim. Eu disse isso ao vivo para no máximo cinco pessoas. Acho pouco. Queria poder dizer mais, mas não consigo. Acho que banaliza quando dito demais, ou então quando dito logo de começo, acho falso. Acho que tenho problemas com "eu te amo", hehe.
Voltando ao fato que deu início a esses pensamentos, tentei fazer meu amigo dizer que me amava em português. Ele não titubeou e nem enrolou, mas usou algo que mais uma vez me fez pensar. Realmente não era difícil só para mim, parecia ser geral. Eis que ele escreve "amo-te". Perai, cadê o sujeito da frase? Cadê o EU que seria a particula que deveria me fazer realmente acreditar que ele tava dizendo algo que vinha mesmo de dentro e com verdade? É, parecia um "tá bom eu te amo, mas tenho vergonha de dizer e contente-se com isso, que já me é complicado falar. Amo-te." Mas era pelo menos em português. E eu sabia que era real.
O fato é que realmente me parece mais simples e descompromissado um "i love you". Sei lá, me parece não carregar a mesma emoção, não parece esboçar verdadeiramente o sentimento. Posso olhar um estranho na rua e dizer "i love you". Mas jamais conseguirei dizer "eu te amo". Muito menos olhando nos olhos. Nunca. Acho que da mesma forma acontece com brigas. A força dos xingamentos não é a mesma. Brigar em inglês dá a impressão de que a gente sempre sai perdendo. No caso do "i love you", saímos os dois perdendo.
Na verdade, eu acabei ganhando, ganhando um "i love you", um "amo-te" e uma discussão sobre o tema. Há tempos não tinha me posto a pensar profundamente em algo. Eu que tenho problemas com amores, me pego pensando em formas de se dizer que ama. Talvez tenha me feito bem. Espero que sim. Acho que fez.
sábado, 16 de maio de 2009
Comédias românticas explicam muito da vida
É fato!
O filme era uma comédia romântica. No começo bem mais comédido que romance, mas depois tudo se acertou. E do meio pro final, a parte que cabe a esse blog. A parte que fez pensar. Há muito tempo não "perdia" umas horinhas para assistir a um filme. Fez-lhe bem. Saiu do mundo, parou e pensou a vida passada e não a vida futura, como fazia sempre.
O filme era Jogo de Amor em Las Vegas, e em uma cena quase final, Jack (Ashton Kutcher) vira-se para Joy (Cameron Diaz) e diz: "Quando foi a última vez que se sentiu feliz?". Aquilo lhe falou firme. Seu pensamento lhe fez deixar de ler a legenda e pensar sobre isso. Quando teria se sentido feliz pela última vez?
Analisou. Reportou-se à ultima viagem que fizera. Tinha sido feliz. Divertira-se demais, fizera coisas maravilhosas, que lhe traziam saudades, que lhe marcara. Lembrou-se de que chorou em um determinado momento, e que essas lágrimas eram de despedida, mas era de felicidade, de agradecimento por uma viagem maravilhosa, talvez. Sentira naquele momento, abraçado a alguém, que ainda era capaz de surpreender a si mesmo. Jamais achou que aquelas lágrimas rolariam. E sentia cada vez mais que a carapaça em torno de si perdia espaço. Comemorou por dentro essa vitória. Mas como sempre, não falou a ninguém. Apenas quem o abraçado compartilhou o momento.
Olhando o filme, voltou a ter um desejo de viver um grande amor. Daqueles arrebatadores, de fazer viajar por horas, enfrentar e mover mundos e fundos para estar ao lado da pessoa amada. Queria sentir isso uma vez na vida. E depois das lágrimas, achava-se capaz. Seu coração ainda conseguia lhe despertar sensações que lhe faziam bem.
Mas o mesmo tempo que queria isso tudo, não gostaria de prender-se. Não gostaria de perder o que conquistara. E nesse instante do filme, Joy larga o emprego, uma promoção milionária, joga tudo pra algo e "vai ser feliz não fazendo nada ao invés de fazer algo de que não gosta". Há tempos tentava ter a mesma atitude. Deixar o emprego, deixar algumas coisas para traz e tentar outro mundo, outra área, outro caminho. Mas tinha medo. Ouviu de um amigo há pouco que era forte e tinha pensamentos a frente para muitas coisas, quase tudo, mas na hora que as resoluções chegavam ao campo profissional, titubeava, e temia um passo adiante.
Ficou sem respostas. O amigo tinha razão. Outro, que era mais que irmão, disse-lhe: "porque não te dedicas a fazer isso que te dá prazer? Te prepara com cursos, seja mais fod* do que já és. Vai fazer o que queres!". As palavras encorajaram. E se desencorajou ao pensar financeiramente. Mas havia se decidido, não se mataria mais. Continuaria sendo o bom profissional que sempre foi, ou que acreditava ser, mas que não viveria mais em função do emprego.
Seria feliz, teria vida. O filme ajudou a colocar-lhe ainda mais essas idéias na cabeça. Queria ter alguém que lhe interessasse passar dias e dias e dias incansáveis junto. Que lhe desse vontade de procurar por uma praia, um pôr-do-sol, uma viagem para rolar na neve, coisas simples, que quando lhe perguntassem "quando foi a última vez que se sentiu feliz?"pudesse responder sem pestanejar: "ontem!".
Não que fosse infeliz. Passava longe disso, se parasse bem para pensar, nem tinha tantos problemas, o mundo não lhe era um lugar de todo ruim. Conhecera ótimas pessoas nos últimos tempos, descartara e abrira os olhos pro que era ruim e do passado conservou o que era bom. E, sim, sobrara-lhe muita coisa de toda essa faxina na vida.
Agora era hora de buscar o novo. De viver uma comédia romântica... era hora de passar por isso na vida. Era hora de novamente derramar aquelas lágrimas de felicidade que cairam do nada e de repente. De repente a vida recomeçava ali.
O filme era uma comédia romântica. No começo bem mais comédido que romance, mas depois tudo se acertou. E do meio pro final, a parte que cabe a esse blog. A parte que fez pensar. Há muito tempo não "perdia" umas horinhas para assistir a um filme. Fez-lhe bem. Saiu do mundo, parou e pensou a vida passada e não a vida futura, como fazia sempre.
O filme era Jogo de Amor em Las Vegas, e em uma cena quase final, Jack (Ashton Kutcher) vira-se para Joy (Cameron Diaz) e diz: "Quando foi a última vez que se sentiu feliz?". Aquilo lhe falou firme. Seu pensamento lhe fez deixar de ler a legenda e pensar sobre isso. Quando teria se sentido feliz pela última vez?
Analisou. Reportou-se à ultima viagem que fizera. Tinha sido feliz. Divertira-se demais, fizera coisas maravilhosas, que lhe traziam saudades, que lhe marcara. Lembrou-se de que chorou em um determinado momento, e que essas lágrimas eram de despedida, mas era de felicidade, de agradecimento por uma viagem maravilhosa, talvez. Sentira naquele momento, abraçado a alguém, que ainda era capaz de surpreender a si mesmo. Jamais achou que aquelas lágrimas rolariam. E sentia cada vez mais que a carapaça em torno de si perdia espaço. Comemorou por dentro essa vitória. Mas como sempre, não falou a ninguém. Apenas quem o abraçado compartilhou o momento.
Olhando o filme, voltou a ter um desejo de viver um grande amor. Daqueles arrebatadores, de fazer viajar por horas, enfrentar e mover mundos e fundos para estar ao lado da pessoa amada. Queria sentir isso uma vez na vida. E depois das lágrimas, achava-se capaz. Seu coração ainda conseguia lhe despertar sensações que lhe faziam bem.
Mas o mesmo tempo que queria isso tudo, não gostaria de prender-se. Não gostaria de perder o que conquistara. E nesse instante do filme, Joy larga o emprego, uma promoção milionária, joga tudo pra algo e "vai ser feliz não fazendo nada ao invés de fazer algo de que não gosta". Há tempos tentava ter a mesma atitude. Deixar o emprego, deixar algumas coisas para traz e tentar outro mundo, outra área, outro caminho. Mas tinha medo. Ouviu de um amigo há pouco que era forte e tinha pensamentos a frente para muitas coisas, quase tudo, mas na hora que as resoluções chegavam ao campo profissional, titubeava, e temia um passo adiante.
Ficou sem respostas. O amigo tinha razão. Outro, que era mais que irmão, disse-lhe: "porque não te dedicas a fazer isso que te dá prazer? Te prepara com cursos, seja mais fod* do que já és. Vai fazer o que queres!". As palavras encorajaram. E se desencorajou ao pensar financeiramente. Mas havia se decidido, não se mataria mais. Continuaria sendo o bom profissional que sempre foi, ou que acreditava ser, mas que não viveria mais em função do emprego.
Seria feliz, teria vida. O filme ajudou a colocar-lhe ainda mais essas idéias na cabeça. Queria ter alguém que lhe interessasse passar dias e dias e dias incansáveis junto. Que lhe desse vontade de procurar por uma praia, um pôr-do-sol, uma viagem para rolar na neve, coisas simples, que quando lhe perguntassem "quando foi a última vez que se sentiu feliz?"pudesse responder sem pestanejar: "ontem!".
Não que fosse infeliz. Passava longe disso, se parasse bem para pensar, nem tinha tantos problemas, o mundo não lhe era um lugar de todo ruim. Conhecera ótimas pessoas nos últimos tempos, descartara e abrira os olhos pro que era ruim e do passado conservou o que era bom. E, sim, sobrara-lhe muita coisa de toda essa faxina na vida.
Agora era hora de buscar o novo. De viver uma comédia romântica... era hora de passar por isso na vida. Era hora de novamente derramar aquelas lágrimas de felicidade que cairam do nada e de repente. De repente a vida recomeçava ali.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Era preciso, mas quem lhe convencia do fato?
Cansou-se de tudo e de todos
Resolveu que faria novos amigos, que buscaria novos amores. Viveria o novo, o inesperado, aquilo que julgasse interessantes e essencial.
Não era possível que apenas cinco ou seis pessoas no mundo pudessem lhe ver verdadeiramente a alma. O que acontecia com o mundo? As pessoas viam nele o reflexo de si mesmas. Chamavam-no de adjetivos que não cabia a ele e sim, eram elas em sua essência.
Mas estava errado. O correto era que se enxergassem nas pessoas aquilo que se quer que elas sejam e não o que somos e queremos esconder.
"O macaco fala do rabo do outro e enrola o dele e senta em cima". Era o ditado que sua avó tinha na ponta da língua, sempre pronta a ser lançado diante de tais situações.
Vovó é que era sábia. Sentia-lhe algo errado de longe. Pelo tom da voz ao telefone.
Os amigos de verdade, discutiam a situação, achavam que ele deveria esquecer, deixar pra lá, ignorar.
Ele argumentava que não era mais possível. Uma hora, tudo o que estava guardado iria tranbordar e faltava muito pouco.
Ouviu que em uma conversa de bar falavam sobre ele. E ai se encaixou perfeitamente o ditado dos macacos. Diziam que se doía demais com as coisas, que fazia tempestades em copo d'água. Irritou-se.
Como poderia alguém saber o que doía ou não dentro dele. E quem eh que sabe o quanto é demais quando se trata de sentimentos? Falavam dele as pessoas que mais máscaras perante os outros usavam. Talvez o amigo tivesse razão. Ignore!
O amigo lhe dizia que era carência. Ele tinha certeza de que não. QUem é que sente carente de alguém que lhe dá nos nervos ou que não lhe conhece mesmo após tantas demonstrações e tanto tempo? Precisava mesmo se afastar. O problema consistia em se convencer de que era o melhor a fazer.
Não afastar-se fisicamente apenas, até mesmo porque isso já era fato. Mas afastar-se de fazer notar sua ausência, de se delisgar, de não sentir falta, de querer deixar pra lá e passar a ser a relação ideal. Eu cuido da minha vida, vcs da sua. Essa era a melhor opção.
Conservaria os amigos que o entendiam, que lhe traziam paz, que lhe amavam. Esse é o sentimento. Descartaria os que apenas o achassem divertido, legal, chato, ou que apenas eram conhecidos de rua. Esses eram os que lhe incomodavam e a vida era mais que isso para lhe render rugas ao seu final por conta delas.
Havia tido dias felizes. Conseguiram lhe estragar a euforia. Dos dias felizes, queria todos - ou melhor, quase todos - para sempre perto de si. Esses dos bons dias sempre lhe renderam boas conversas, sempre souberam lhe animar, sempre lhe deram o merecido valor.
Os que levaram a sua euforia, que morressem, sumissem, tivessem o fim que tivessem. Era isso que desejava. viveu tantos anos sem eles, poderia voltar a viver muitos mais se não os tivesse de novo.
Quanto aos amores, era engraçado. Sempre com as pessoas erradas, sempre nas horas estranhas. Não sabia se era ele quem complicava demais, se as pessoas é que dificultavam tudo. O fato é que se entregava e não recebia o que esperava. Achou que 2009 seria um bom ano para isso. Passou a virada do ano vestindo uma cueca vermelha, diziam dar sorte no amor. Deu sorte apenas para a dona da loja onde comprou a peça.
Seria cauteloso ao conhecer novos possíveis amores. Deixaria de se encantar pelas primeiras impressões, pelas primeiras palavras e pelos gestos. Não pensaria em ter nada sério, a princípio. Só precisava saber como avisar isso a seu coração.
Odiava lembrar que sua vida era, e sempre foi, parecida com o poema Quadrilha, de Drummond. Um que amava o outro, que amava outro, que num tava nem ai... C'est la vie.
Um dia essa vida iria mudar. Tinha ainda um resto de fé.
Resolveu que faria novos amigos, que buscaria novos amores. Viveria o novo, o inesperado, aquilo que julgasse interessantes e essencial.
Não era possível que apenas cinco ou seis pessoas no mundo pudessem lhe ver verdadeiramente a alma. O que acontecia com o mundo? As pessoas viam nele o reflexo de si mesmas. Chamavam-no de adjetivos que não cabia a ele e sim, eram elas em sua essência.
Mas estava errado. O correto era que se enxergassem nas pessoas aquilo que se quer que elas sejam e não o que somos e queremos esconder.
"O macaco fala do rabo do outro e enrola o dele e senta em cima". Era o ditado que sua avó tinha na ponta da língua, sempre pronta a ser lançado diante de tais situações.
Vovó é que era sábia. Sentia-lhe algo errado de longe. Pelo tom da voz ao telefone.
Os amigos de verdade, discutiam a situação, achavam que ele deveria esquecer, deixar pra lá, ignorar.
Ele argumentava que não era mais possível. Uma hora, tudo o que estava guardado iria tranbordar e faltava muito pouco.
Ouviu que em uma conversa de bar falavam sobre ele. E ai se encaixou perfeitamente o ditado dos macacos. Diziam que se doía demais com as coisas, que fazia tempestades em copo d'água. Irritou-se.
Como poderia alguém saber o que doía ou não dentro dele. E quem eh que sabe o quanto é demais quando se trata de sentimentos? Falavam dele as pessoas que mais máscaras perante os outros usavam. Talvez o amigo tivesse razão. Ignore!
O amigo lhe dizia que era carência. Ele tinha certeza de que não. QUem é que sente carente de alguém que lhe dá nos nervos ou que não lhe conhece mesmo após tantas demonstrações e tanto tempo? Precisava mesmo se afastar. O problema consistia em se convencer de que era o melhor a fazer.
Não afastar-se fisicamente apenas, até mesmo porque isso já era fato. Mas afastar-se de fazer notar sua ausência, de se delisgar, de não sentir falta, de querer deixar pra lá e passar a ser a relação ideal. Eu cuido da minha vida, vcs da sua. Essa era a melhor opção.
Conservaria os amigos que o entendiam, que lhe traziam paz, que lhe amavam. Esse é o sentimento. Descartaria os que apenas o achassem divertido, legal, chato, ou que apenas eram conhecidos de rua. Esses eram os que lhe incomodavam e a vida era mais que isso para lhe render rugas ao seu final por conta delas.
Havia tido dias felizes. Conseguiram lhe estragar a euforia. Dos dias felizes, queria todos - ou melhor, quase todos - para sempre perto de si. Esses dos bons dias sempre lhe renderam boas conversas, sempre souberam lhe animar, sempre lhe deram o merecido valor.
Os que levaram a sua euforia, que morressem, sumissem, tivessem o fim que tivessem. Era isso que desejava. viveu tantos anos sem eles, poderia voltar a viver muitos mais se não os tivesse de novo.
Quanto aos amores, era engraçado. Sempre com as pessoas erradas, sempre nas horas estranhas. Não sabia se era ele quem complicava demais, se as pessoas é que dificultavam tudo. O fato é que se entregava e não recebia o que esperava. Achou que 2009 seria um bom ano para isso. Passou a virada do ano vestindo uma cueca vermelha, diziam dar sorte no amor. Deu sorte apenas para a dona da loja onde comprou a peça.
Seria cauteloso ao conhecer novos possíveis amores. Deixaria de se encantar pelas primeiras impressões, pelas primeiras palavras e pelos gestos. Não pensaria em ter nada sério, a princípio. Só precisava saber como avisar isso a seu coração.
Odiava lembrar que sua vida era, e sempre foi, parecida com o poema Quadrilha, de Drummond. Um que amava o outro, que amava outro, que num tava nem ai... C'est la vie.
Um dia essa vida iria mudar. Tinha ainda um resto de fé.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
...
Último ato
Tentava se ocupar. Tirar da mente todas as coisas que lhe incomodavam. Tudo, absolutamente tudo lhe dava nos nervos. Olhava para os peixes no aquário. Pensava em dormir, mas não achou boa idéia. Poderia ser que sonhasse com o indesejado. Mas o indesejado era fato e era mais forte que ele. Não queria conversar, sabia que ia ouvir uma grosseria qualquer, pois é essa a tática dos que procuram afastar de si aqueles que gostam. A grosseria. Era essa a técnica. Tinha sacado, sentia-se melhor. Era a segunda vez em pouco tempo que passava pela mesma situação. Ainda era bom em perceber as pessoas. Alegrou-se por um instante.
Procurou na cantora favorita pra horas de fossa, algo que lhe tocasse o coração. A música cantou forte por várias vezes "é uma pena, mas você não vale a pena, não vale uma fisgada dessa dor, de tão pequena". Confortou-se um pouco. Ouvira aquilo que queria realmente acreditar. Começou a pensar os problemas por outro ângulo. Deveria se sentir feliz por ainda se entregar a paixões, mas que lhe custasse rasgaduras no coração. Sentia pena daqueles que rejeitavam sua entrega. Ou que talvez até a quisessem, mas a recusavam para que a dor fosse somente sua. Preferiam uma dor alheia a uma alegria partilhada. Infelizes. Sentira-se contente por diversas vezes ainda ter tentado. Prometera-se coisas. Metas para o ano que ainda era fresquinho. Assim como tantos outros, poderiam e deveriam ser amigos, como sempre foi de sua vontade que acontecesse ao final dos relacionamentos. Principalmente com aqueles que jah nasceram mortos.
As bolhas de ar no aquário lhe sugeriram efervecência. Precisava de novo sentir que era vivo. Que o coração, ainda com ferimentos, bandagens e um pouco cansado, ainda era capaz de pulsar forte. Alegrava-se com uma motivação nova. Sentia falta de pessoas que lhe faziam bem. Que não tinham vergonha de seus sentimentos. Que manifestavam seu medo de perdê-lo. A vida saia da monocromia e ia ganhando cores. Não fosse a chuva lá fora, talvez pudesse até ouvir pássaros cantar. A escuridão parecia agora apenas uma penumbra. Torcia para que acordasse assim novamente pela manhã.
Fosse uma cena de filme tudo isso, estaria ele tomando um banho na chuva para que ela levasse consigo todo o mal, toda a dor, tudo o breu que tinha na alma a té então. De braços abertos e com sorriso no rosto, cairia-lhe a água no rosto e misturada a lágrimas de um renascimento, a chuva forte cessaria aos poucos, enquanto deitado na relva, um sorriso em meio ao choro de felicidade lhe faria ouvir no pensamento: "por você o faria mil vezes!".
Sobem os créditos.
Tentava se ocupar. Tirar da mente todas as coisas que lhe incomodavam. Tudo, absolutamente tudo lhe dava nos nervos. Olhava para os peixes no aquário. Pensava em dormir, mas não achou boa idéia. Poderia ser que sonhasse com o indesejado. Mas o indesejado era fato e era mais forte que ele. Não queria conversar, sabia que ia ouvir uma grosseria qualquer, pois é essa a tática dos que procuram afastar de si aqueles que gostam. A grosseria. Era essa a técnica. Tinha sacado, sentia-se melhor. Era a segunda vez em pouco tempo que passava pela mesma situação. Ainda era bom em perceber as pessoas. Alegrou-se por um instante.
Procurou na cantora favorita pra horas de fossa, algo que lhe tocasse o coração. A música cantou forte por várias vezes "é uma pena, mas você não vale a pena, não vale uma fisgada dessa dor, de tão pequena". Confortou-se um pouco. Ouvira aquilo que queria realmente acreditar. Começou a pensar os problemas por outro ângulo. Deveria se sentir feliz por ainda se entregar a paixões, mas que lhe custasse rasgaduras no coração. Sentia pena daqueles que rejeitavam sua entrega. Ou que talvez até a quisessem, mas a recusavam para que a dor fosse somente sua. Preferiam uma dor alheia a uma alegria partilhada. Infelizes. Sentira-se contente por diversas vezes ainda ter tentado. Prometera-se coisas. Metas para o ano que ainda era fresquinho. Assim como tantos outros, poderiam e deveriam ser amigos, como sempre foi de sua vontade que acontecesse ao final dos relacionamentos. Principalmente com aqueles que jah nasceram mortos.
As bolhas de ar no aquário lhe sugeriram efervecência. Precisava de novo sentir que era vivo. Que o coração, ainda com ferimentos, bandagens e um pouco cansado, ainda era capaz de pulsar forte. Alegrava-se com uma motivação nova. Sentia falta de pessoas que lhe faziam bem. Que não tinham vergonha de seus sentimentos. Que manifestavam seu medo de perdê-lo. A vida saia da monocromia e ia ganhando cores. Não fosse a chuva lá fora, talvez pudesse até ouvir pássaros cantar. A escuridão parecia agora apenas uma penumbra. Torcia para que acordasse assim novamente pela manhã.
Fosse uma cena de filme tudo isso, estaria ele tomando um banho na chuva para que ela levasse consigo todo o mal, toda a dor, tudo o breu que tinha na alma a té então. De braços abertos e com sorriso no rosto, cairia-lhe a água no rosto e misturada a lágrimas de um renascimento, a chuva forte cessaria aos poucos, enquanto deitado na relva, um sorriso em meio ao choro de felicidade lhe faria ouvir no pensamento: "por você o faria mil vezes!".
Sobem os créditos.
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
...
Ato IV
Enfim, não teve a oportunidade de conversar pessoalmente. Parece que sentia que desejava lhe falar algo, que na verdade já sabia, mas não queria ovir de sua própria boca. Não lhe dava abertura de chegar e conversar. Preferia fingir que nada acontecia. Ele notava, mas também parecia que era melhor que ficasse com o segredo guardado para si. Talvez sofresse menos, talvez um dia o sentimento morresse, assim como conseguiu matar vários outros por tantas vezes.
Não foi seu o seu primeiro "Feliz Ano Novo". Parece inclusive que fizera de propósito, em ficar meio distante, perto das outras pessoas. Mas precisaria, hora ou outra, desejar-lhe as palavras. Foi o segundo "Feliz Ano Novo", Seguido de um rodopio durante o abraço, durante o qual lhe disse ao ouvido "Olha, quantos casais!". Aquilo lhe soou irônico, ainda porque ambos vestiam roupas íntimas vermelhas. E o ano novo parece que já não prometia bons romances.
Acabaram com se falar mais ou menos, no outro dia. Umas palavras jogadas, algumas insistências em assuntos passados, cada qual com seu conceito sobre "vazio", sobre paixões, sobre sentimentos que "naturalmente passam". E agora era meta fazê-lo passar, e correndo de preferência. O ano era muito recente para deixá-lo se estragar desde já.
Arrependeu-se - mas não muito - de ter tentado agradar fazendo o que não era da sua vontade. Arrependeu-se de ter tocado no assunto, de ter conversado, de inúmeras coisas que os apaixonados fazem. Aprendeu a gostar sem demonstrar. Achou que esse é o melhor caminho. Cortou sagitarianos da lista de relacionamentos - iludiu-se como se isso fosse possível, claro. Abortou as infantilidades, apartou de si as ilusões, afastou a esperança, que mesmo sendo a última, tinha que ser a primeira a morrer.
Prometeu a si mesmo que somente se entregaria de novo a desejos que lhe fossem correspondidos. Era complexo demais. Seu "sagitarianismo" acabava lhe fazendo mal no quesito amoroso. Queria mudar de signo, mudar de vida, de cidade, de ares. Mas de nada ia adiantar. Mas não mais tentaria nada. Não mais se esforçaria por nada. Apoiou-se na máxima adaptada: "quem perde é quem não me tem". Mas ainda não se sentia bem. Faltava-lhe a presença de alguns amigos fundamentais nessa hora. E todos viajavam.
Fim do quarto ato!
Enfim, não teve a oportunidade de conversar pessoalmente. Parece que sentia que desejava lhe falar algo, que na verdade já sabia, mas não queria ovir de sua própria boca. Não lhe dava abertura de chegar e conversar. Preferia fingir que nada acontecia. Ele notava, mas também parecia que era melhor que ficasse com o segredo guardado para si. Talvez sofresse menos, talvez um dia o sentimento morresse, assim como conseguiu matar vários outros por tantas vezes.
Não foi seu o seu primeiro "Feliz Ano Novo". Parece inclusive que fizera de propósito, em ficar meio distante, perto das outras pessoas. Mas precisaria, hora ou outra, desejar-lhe as palavras. Foi o segundo "Feliz Ano Novo", Seguido de um rodopio durante o abraço, durante o qual lhe disse ao ouvido "Olha, quantos casais!". Aquilo lhe soou irônico, ainda porque ambos vestiam roupas íntimas vermelhas. E o ano novo parece que já não prometia bons romances.
Acabaram com se falar mais ou menos, no outro dia. Umas palavras jogadas, algumas insistências em assuntos passados, cada qual com seu conceito sobre "vazio", sobre paixões, sobre sentimentos que "naturalmente passam". E agora era meta fazê-lo passar, e correndo de preferência. O ano era muito recente para deixá-lo se estragar desde já.
Arrependeu-se - mas não muito - de ter tentado agradar fazendo o que não era da sua vontade. Arrependeu-se de ter tocado no assunto, de ter conversado, de inúmeras coisas que os apaixonados fazem. Aprendeu a gostar sem demonstrar. Achou que esse é o melhor caminho. Cortou sagitarianos da lista de relacionamentos - iludiu-se como se isso fosse possível, claro. Abortou as infantilidades, apartou de si as ilusões, afastou a esperança, que mesmo sendo a última, tinha que ser a primeira a morrer.
Prometeu a si mesmo que somente se entregaria de novo a desejos que lhe fossem correspondidos. Era complexo demais. Seu "sagitarianismo" acabava lhe fazendo mal no quesito amoroso. Queria mudar de signo, mudar de vida, de cidade, de ares. Mas de nada ia adiantar. Mas não mais tentaria nada. Não mais se esforçaria por nada. Apoiou-se na máxima adaptada: "quem perde é quem não me tem". Mas ainda não se sentia bem. Faltava-lhe a presença de alguns amigos fundamentais nessa hora. E todos viajavam.
Fim do quarto ato!
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
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Ato III
O problema residia em suas paixões. Paixões. Apenas isso era o que conseguia pensar. Acho que novamente, a melhor saída era voltar a ter o coração seco, gelado, que havia sido completamente vã a luta de quatro anos para voltar a pensar em amar. E agora quem realmente tomava a rédea dos pensamento era o ator. Cansara-se de tentar entender a personagem, ou o hibrido que se fizera parecer.
As paixões... então era isso que incomodava. Era isso que parecia "vazio". No entanto, as paixões para o ator num eram as mesmas que sentiam o atirador, e muito menos a platéia. Falava muito de sexo, falava muito em beijos, mas se percebessem-lhe um pouco mais, viriam que há muito não fazia nem um, muito menos o outro. Não que isso o redimisse, mas era ali que se diferenciavam a personagem o artista. Era exatamente nesse tênue detalhe que tudo se desfazia, mas a platéia passava batido e não percebia.
Ele "se atirava" demais. Fora isso o que ouvira do atirador, e que lhe cravou forte na alma. Se o atirador fosse capaz de ver de outra maneira, teria notado então que soh se atirava na vida real para cima de uma pessoa. Na encenação, poderia até ser, mas na vida real, era uma única pessoa que lhe interessava.
As outras paixões eram uma forma de matar aos poucos essa que lhe machucava, que lhe maltratava, que havia sido podada pouco antes de aparecer de fato. A pessoa havia lhe dado o doce e em seguida, sem mais nem menos, retirado. A desculpa era de que em breve começaria procurar, no ator, os defeitos que ele não tinha. Mas o ator tinha se envolvido, já era tarde pra ele... Mas silenciou. Poderia ter dito tudo o que sentia, tudo o que lhe veio à boca e à mente, mas preferiu apenas ouvir e chorar por dentro. Lançou-se na busca de um conforto, algo que lhe tirasse o foco daquele acontecido. E foi ai que pareceu que se "atirava" para todo mundo. E ai estava a casca do problema, bem mais profundo do que a superficialidade com a qual o viam.
Mas depois disso, o ator resolveu que seria diferente. Faria difente, agiria diferente, mostraria-se diferente, e contaria a todos o tamanho do que se passava, por mais que isso fosse lhe doer. Havia adiado tanto isso, pois sabia que lhe cortaria na carne profundamente, mas era chegada a hora. Já havia se remoído demais, já havia se machucado demais. A paixão já era demais para ser só dele.
Fim do terceiro ato!
O problema residia em suas paixões. Paixões. Apenas isso era o que conseguia pensar. Acho que novamente, a melhor saída era voltar a ter o coração seco, gelado, que havia sido completamente vã a luta de quatro anos para voltar a pensar em amar. E agora quem realmente tomava a rédea dos pensamento era o ator. Cansara-se de tentar entender a personagem, ou o hibrido que se fizera parecer.
As paixões... então era isso que incomodava. Era isso que parecia "vazio". No entanto, as paixões para o ator num eram as mesmas que sentiam o atirador, e muito menos a platéia. Falava muito de sexo, falava muito em beijos, mas se percebessem-lhe um pouco mais, viriam que há muito não fazia nem um, muito menos o outro. Não que isso o redimisse, mas era ali que se diferenciavam a personagem o artista. Era exatamente nesse tênue detalhe que tudo se desfazia, mas a platéia passava batido e não percebia.
Ele "se atirava" demais. Fora isso o que ouvira do atirador, e que lhe cravou forte na alma. Se o atirador fosse capaz de ver de outra maneira, teria notado então que soh se atirava na vida real para cima de uma pessoa. Na encenação, poderia até ser, mas na vida real, era uma única pessoa que lhe interessava.
As outras paixões eram uma forma de matar aos poucos essa que lhe machucava, que lhe maltratava, que havia sido podada pouco antes de aparecer de fato. A pessoa havia lhe dado o doce e em seguida, sem mais nem menos, retirado. A desculpa era de que em breve começaria procurar, no ator, os defeitos que ele não tinha. Mas o ator tinha se envolvido, já era tarde pra ele... Mas silenciou. Poderia ter dito tudo o que sentia, tudo o que lhe veio à boca e à mente, mas preferiu apenas ouvir e chorar por dentro. Lançou-se na busca de um conforto, algo que lhe tirasse o foco daquele acontecido. E foi ai que pareceu que se "atirava" para todo mundo. E ai estava a casca do problema, bem mais profundo do que a superficialidade com a qual o viam.
Mas depois disso, o ator resolveu que seria diferente. Faria difente, agiria diferente, mostraria-se diferente, e contaria a todos o tamanho do que se passava, por mais que isso fosse lhe doer. Havia adiado tanto isso, pois sabia que lhe cortaria na carne profundamente, mas era chegada a hora. Já havia se remoído demais, já havia se machucado demais. A paixão já era demais para ser só dele.
Fim do terceiro ato!
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