É fato!
O filme era uma comédia romântica. No começo bem mais comédido que romance, mas depois tudo se acertou. E do meio pro final, a parte que cabe a esse blog. A parte que fez pensar. Há muito tempo não "perdia" umas horinhas para assistir a um filme. Fez-lhe bem. Saiu do mundo, parou e pensou a vida passada e não a vida futura, como fazia sempre.
O filme era Jogo de Amor em Las Vegas, e em uma cena quase final, Jack (Ashton Kutcher) vira-se para Joy (Cameron Diaz) e diz: "Quando foi a última vez que se sentiu feliz?". Aquilo lhe falou firme. Seu pensamento lhe fez deixar de ler a legenda e pensar sobre isso. Quando teria se sentido feliz pela última vez?
Analisou. Reportou-se à ultima viagem que fizera. Tinha sido feliz. Divertira-se demais, fizera coisas maravilhosas, que lhe traziam saudades, que lhe marcara. Lembrou-se de que chorou em um determinado momento, e que essas lágrimas eram de despedida, mas era de felicidade, de agradecimento por uma viagem maravilhosa, talvez. Sentira naquele momento, abraçado a alguém, que ainda era capaz de surpreender a si mesmo. Jamais achou que aquelas lágrimas rolariam. E sentia cada vez mais que a carapaça em torno de si perdia espaço. Comemorou por dentro essa vitória. Mas como sempre, não falou a ninguém. Apenas quem o abraçado compartilhou o momento.
Olhando o filme, voltou a ter um desejo de viver um grande amor. Daqueles arrebatadores, de fazer viajar por horas, enfrentar e mover mundos e fundos para estar ao lado da pessoa amada. Queria sentir isso uma vez na vida. E depois das lágrimas, achava-se capaz. Seu coração ainda conseguia lhe despertar sensações que lhe faziam bem.
Mas o mesmo tempo que queria isso tudo, não gostaria de prender-se. Não gostaria de perder o que conquistara. E nesse instante do filme, Joy larga o emprego, uma promoção milionária, joga tudo pra algo e "vai ser feliz não fazendo nada ao invés de fazer algo de que não gosta". Há tempos tentava ter a mesma atitude. Deixar o emprego, deixar algumas coisas para traz e tentar outro mundo, outra área, outro caminho. Mas tinha medo. Ouviu de um amigo há pouco que era forte e tinha pensamentos a frente para muitas coisas, quase tudo, mas na hora que as resoluções chegavam ao campo profissional, titubeava, e temia um passo adiante.
Ficou sem respostas. O amigo tinha razão. Outro, que era mais que irmão, disse-lhe: "porque não te dedicas a fazer isso que te dá prazer? Te prepara com cursos, seja mais fod* do que já és. Vai fazer o que queres!". As palavras encorajaram. E se desencorajou ao pensar financeiramente. Mas havia se decidido, não se mataria mais. Continuaria sendo o bom profissional que sempre foi, ou que acreditava ser, mas que não viveria mais em função do emprego.
Seria feliz, teria vida. O filme ajudou a colocar-lhe ainda mais essas idéias na cabeça. Queria ter alguém que lhe interessasse passar dias e dias e dias incansáveis junto. Que lhe desse vontade de procurar por uma praia, um pôr-do-sol, uma viagem para rolar na neve, coisas simples, que quando lhe perguntassem "quando foi a última vez que se sentiu feliz?"pudesse responder sem pestanejar: "ontem!".
Não que fosse infeliz. Passava longe disso, se parasse bem para pensar, nem tinha tantos problemas, o mundo não lhe era um lugar de todo ruim. Conhecera ótimas pessoas nos últimos tempos, descartara e abrira os olhos pro que era ruim e do passado conservou o que era bom. E, sim, sobrara-lhe muita coisa de toda essa faxina na vida.
Agora era hora de buscar o novo. De viver uma comédia romântica... era hora de passar por isso na vida. Era hora de novamente derramar aquelas lágrimas de felicidade que cairam do nada e de repente. De repente a vida recomeçava ali.
domingo, 17 de maio de 2009
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Era preciso, mas quem lhe convencia do fato?
Cansou-se de tudo e de todos
Resolveu que faria novos amigos, que buscaria novos amores. Viveria o novo, o inesperado, aquilo que julgasse interessantes e essencial.
Não era possível que apenas cinco ou seis pessoas no mundo pudessem lhe ver verdadeiramente a alma. O que acontecia com o mundo? As pessoas viam nele o reflexo de si mesmas. Chamavam-no de adjetivos que não cabia a ele e sim, eram elas em sua essência.
Mas estava errado. O correto era que se enxergassem nas pessoas aquilo que se quer que elas sejam e não o que somos e queremos esconder.
"O macaco fala do rabo do outro e enrola o dele e senta em cima". Era o ditado que sua avó tinha na ponta da língua, sempre pronta a ser lançado diante de tais situações.
Vovó é que era sábia. Sentia-lhe algo errado de longe. Pelo tom da voz ao telefone.
Os amigos de verdade, discutiam a situação, achavam que ele deveria esquecer, deixar pra lá, ignorar.
Ele argumentava que não era mais possível. Uma hora, tudo o que estava guardado iria tranbordar e faltava muito pouco.
Ouviu que em uma conversa de bar falavam sobre ele. E ai se encaixou perfeitamente o ditado dos macacos. Diziam que se doía demais com as coisas, que fazia tempestades em copo d'água. Irritou-se.
Como poderia alguém saber o que doía ou não dentro dele. E quem eh que sabe o quanto é demais quando se trata de sentimentos? Falavam dele as pessoas que mais máscaras perante os outros usavam. Talvez o amigo tivesse razão. Ignore!
O amigo lhe dizia que era carência. Ele tinha certeza de que não. QUem é que sente carente de alguém que lhe dá nos nervos ou que não lhe conhece mesmo após tantas demonstrações e tanto tempo? Precisava mesmo se afastar. O problema consistia em se convencer de que era o melhor a fazer.
Não afastar-se fisicamente apenas, até mesmo porque isso já era fato. Mas afastar-se de fazer notar sua ausência, de se delisgar, de não sentir falta, de querer deixar pra lá e passar a ser a relação ideal. Eu cuido da minha vida, vcs da sua. Essa era a melhor opção.
Conservaria os amigos que o entendiam, que lhe traziam paz, que lhe amavam. Esse é o sentimento. Descartaria os que apenas o achassem divertido, legal, chato, ou que apenas eram conhecidos de rua. Esses eram os que lhe incomodavam e a vida era mais que isso para lhe render rugas ao seu final por conta delas.
Havia tido dias felizes. Conseguiram lhe estragar a euforia. Dos dias felizes, queria todos - ou melhor, quase todos - para sempre perto de si. Esses dos bons dias sempre lhe renderam boas conversas, sempre souberam lhe animar, sempre lhe deram o merecido valor.
Os que levaram a sua euforia, que morressem, sumissem, tivessem o fim que tivessem. Era isso que desejava. viveu tantos anos sem eles, poderia voltar a viver muitos mais se não os tivesse de novo.
Quanto aos amores, era engraçado. Sempre com as pessoas erradas, sempre nas horas estranhas. Não sabia se era ele quem complicava demais, se as pessoas é que dificultavam tudo. O fato é que se entregava e não recebia o que esperava. Achou que 2009 seria um bom ano para isso. Passou a virada do ano vestindo uma cueca vermelha, diziam dar sorte no amor. Deu sorte apenas para a dona da loja onde comprou a peça.
Seria cauteloso ao conhecer novos possíveis amores. Deixaria de se encantar pelas primeiras impressões, pelas primeiras palavras e pelos gestos. Não pensaria em ter nada sério, a princípio. Só precisava saber como avisar isso a seu coração.
Odiava lembrar que sua vida era, e sempre foi, parecida com o poema Quadrilha, de Drummond. Um que amava o outro, que amava outro, que num tava nem ai... C'est la vie.
Um dia essa vida iria mudar. Tinha ainda um resto de fé.
Resolveu que faria novos amigos, que buscaria novos amores. Viveria o novo, o inesperado, aquilo que julgasse interessantes e essencial.
Não era possível que apenas cinco ou seis pessoas no mundo pudessem lhe ver verdadeiramente a alma. O que acontecia com o mundo? As pessoas viam nele o reflexo de si mesmas. Chamavam-no de adjetivos que não cabia a ele e sim, eram elas em sua essência.
Mas estava errado. O correto era que se enxergassem nas pessoas aquilo que se quer que elas sejam e não o que somos e queremos esconder.
"O macaco fala do rabo do outro e enrola o dele e senta em cima". Era o ditado que sua avó tinha na ponta da língua, sempre pronta a ser lançado diante de tais situações.
Vovó é que era sábia. Sentia-lhe algo errado de longe. Pelo tom da voz ao telefone.
Os amigos de verdade, discutiam a situação, achavam que ele deveria esquecer, deixar pra lá, ignorar.
Ele argumentava que não era mais possível. Uma hora, tudo o que estava guardado iria tranbordar e faltava muito pouco.
Ouviu que em uma conversa de bar falavam sobre ele. E ai se encaixou perfeitamente o ditado dos macacos. Diziam que se doía demais com as coisas, que fazia tempestades em copo d'água. Irritou-se.
Como poderia alguém saber o que doía ou não dentro dele. E quem eh que sabe o quanto é demais quando se trata de sentimentos? Falavam dele as pessoas que mais máscaras perante os outros usavam. Talvez o amigo tivesse razão. Ignore!
O amigo lhe dizia que era carência. Ele tinha certeza de que não. QUem é que sente carente de alguém que lhe dá nos nervos ou que não lhe conhece mesmo após tantas demonstrações e tanto tempo? Precisava mesmo se afastar. O problema consistia em se convencer de que era o melhor a fazer.
Não afastar-se fisicamente apenas, até mesmo porque isso já era fato. Mas afastar-se de fazer notar sua ausência, de se delisgar, de não sentir falta, de querer deixar pra lá e passar a ser a relação ideal. Eu cuido da minha vida, vcs da sua. Essa era a melhor opção.
Conservaria os amigos que o entendiam, que lhe traziam paz, que lhe amavam. Esse é o sentimento. Descartaria os que apenas o achassem divertido, legal, chato, ou que apenas eram conhecidos de rua. Esses eram os que lhe incomodavam e a vida era mais que isso para lhe render rugas ao seu final por conta delas.
Havia tido dias felizes. Conseguiram lhe estragar a euforia. Dos dias felizes, queria todos - ou melhor, quase todos - para sempre perto de si. Esses dos bons dias sempre lhe renderam boas conversas, sempre souberam lhe animar, sempre lhe deram o merecido valor.
Os que levaram a sua euforia, que morressem, sumissem, tivessem o fim que tivessem. Era isso que desejava. viveu tantos anos sem eles, poderia voltar a viver muitos mais se não os tivesse de novo.
Quanto aos amores, era engraçado. Sempre com as pessoas erradas, sempre nas horas estranhas. Não sabia se era ele quem complicava demais, se as pessoas é que dificultavam tudo. O fato é que se entregava e não recebia o que esperava. Achou que 2009 seria um bom ano para isso. Passou a virada do ano vestindo uma cueca vermelha, diziam dar sorte no amor. Deu sorte apenas para a dona da loja onde comprou a peça.
Seria cauteloso ao conhecer novos possíveis amores. Deixaria de se encantar pelas primeiras impressões, pelas primeiras palavras e pelos gestos. Não pensaria em ter nada sério, a princípio. Só precisava saber como avisar isso a seu coração.
Odiava lembrar que sua vida era, e sempre foi, parecida com o poema Quadrilha, de Drummond. Um que amava o outro, que amava outro, que num tava nem ai... C'est la vie.
Um dia essa vida iria mudar. Tinha ainda um resto de fé.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
...
Último ato
Tentava se ocupar. Tirar da mente todas as coisas que lhe incomodavam. Tudo, absolutamente tudo lhe dava nos nervos. Olhava para os peixes no aquário. Pensava em dormir, mas não achou boa idéia. Poderia ser que sonhasse com o indesejado. Mas o indesejado era fato e era mais forte que ele. Não queria conversar, sabia que ia ouvir uma grosseria qualquer, pois é essa a tática dos que procuram afastar de si aqueles que gostam. A grosseria. Era essa a técnica. Tinha sacado, sentia-se melhor. Era a segunda vez em pouco tempo que passava pela mesma situação. Ainda era bom em perceber as pessoas. Alegrou-se por um instante.
Procurou na cantora favorita pra horas de fossa, algo que lhe tocasse o coração. A música cantou forte por várias vezes "é uma pena, mas você não vale a pena, não vale uma fisgada dessa dor, de tão pequena". Confortou-se um pouco. Ouvira aquilo que queria realmente acreditar. Começou a pensar os problemas por outro ângulo. Deveria se sentir feliz por ainda se entregar a paixões, mas que lhe custasse rasgaduras no coração. Sentia pena daqueles que rejeitavam sua entrega. Ou que talvez até a quisessem, mas a recusavam para que a dor fosse somente sua. Preferiam uma dor alheia a uma alegria partilhada. Infelizes. Sentira-se contente por diversas vezes ainda ter tentado. Prometera-se coisas. Metas para o ano que ainda era fresquinho. Assim como tantos outros, poderiam e deveriam ser amigos, como sempre foi de sua vontade que acontecesse ao final dos relacionamentos. Principalmente com aqueles que jah nasceram mortos.
As bolhas de ar no aquário lhe sugeriram efervecência. Precisava de novo sentir que era vivo. Que o coração, ainda com ferimentos, bandagens e um pouco cansado, ainda era capaz de pulsar forte. Alegrava-se com uma motivação nova. Sentia falta de pessoas que lhe faziam bem. Que não tinham vergonha de seus sentimentos. Que manifestavam seu medo de perdê-lo. A vida saia da monocromia e ia ganhando cores. Não fosse a chuva lá fora, talvez pudesse até ouvir pássaros cantar. A escuridão parecia agora apenas uma penumbra. Torcia para que acordasse assim novamente pela manhã.
Fosse uma cena de filme tudo isso, estaria ele tomando um banho na chuva para que ela levasse consigo todo o mal, toda a dor, tudo o breu que tinha na alma a té então. De braços abertos e com sorriso no rosto, cairia-lhe a água no rosto e misturada a lágrimas de um renascimento, a chuva forte cessaria aos poucos, enquanto deitado na relva, um sorriso em meio ao choro de felicidade lhe faria ouvir no pensamento: "por você o faria mil vezes!".
Sobem os créditos.
Tentava se ocupar. Tirar da mente todas as coisas que lhe incomodavam. Tudo, absolutamente tudo lhe dava nos nervos. Olhava para os peixes no aquário. Pensava em dormir, mas não achou boa idéia. Poderia ser que sonhasse com o indesejado. Mas o indesejado era fato e era mais forte que ele. Não queria conversar, sabia que ia ouvir uma grosseria qualquer, pois é essa a tática dos que procuram afastar de si aqueles que gostam. A grosseria. Era essa a técnica. Tinha sacado, sentia-se melhor. Era a segunda vez em pouco tempo que passava pela mesma situação. Ainda era bom em perceber as pessoas. Alegrou-se por um instante.
Procurou na cantora favorita pra horas de fossa, algo que lhe tocasse o coração. A música cantou forte por várias vezes "é uma pena, mas você não vale a pena, não vale uma fisgada dessa dor, de tão pequena". Confortou-se um pouco. Ouvira aquilo que queria realmente acreditar. Começou a pensar os problemas por outro ângulo. Deveria se sentir feliz por ainda se entregar a paixões, mas que lhe custasse rasgaduras no coração. Sentia pena daqueles que rejeitavam sua entrega. Ou que talvez até a quisessem, mas a recusavam para que a dor fosse somente sua. Preferiam uma dor alheia a uma alegria partilhada. Infelizes. Sentira-se contente por diversas vezes ainda ter tentado. Prometera-se coisas. Metas para o ano que ainda era fresquinho. Assim como tantos outros, poderiam e deveriam ser amigos, como sempre foi de sua vontade que acontecesse ao final dos relacionamentos. Principalmente com aqueles que jah nasceram mortos.
As bolhas de ar no aquário lhe sugeriram efervecência. Precisava de novo sentir que era vivo. Que o coração, ainda com ferimentos, bandagens e um pouco cansado, ainda era capaz de pulsar forte. Alegrava-se com uma motivação nova. Sentia falta de pessoas que lhe faziam bem. Que não tinham vergonha de seus sentimentos. Que manifestavam seu medo de perdê-lo. A vida saia da monocromia e ia ganhando cores. Não fosse a chuva lá fora, talvez pudesse até ouvir pássaros cantar. A escuridão parecia agora apenas uma penumbra. Torcia para que acordasse assim novamente pela manhã.
Fosse uma cena de filme tudo isso, estaria ele tomando um banho na chuva para que ela levasse consigo todo o mal, toda a dor, tudo o breu que tinha na alma a té então. De braços abertos e com sorriso no rosto, cairia-lhe a água no rosto e misturada a lágrimas de um renascimento, a chuva forte cessaria aos poucos, enquanto deitado na relva, um sorriso em meio ao choro de felicidade lhe faria ouvir no pensamento: "por você o faria mil vezes!".
Sobem os créditos.
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