quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Como lidar?

Há uns dois dias não se sentia bem. Uma tristeza tomava-lhe conta, não sabia de onde vinha, como era, nem como se livrar. Quer dizer, até sabia, sabia muito bem. Mas jamais daria o braço a torcer que, aquilo que era para ser gostoso e fazer bem, estava fazendo mal.

Não havia mudado em nada, desde antes inclusive. Mas via no outro uma indiferença, um descaso, e em alguns momentos chegou a amaldiçoar mentalmente aqueles dias maravilhosos. No entanto, na esperança de vivê-los novamente, afastou os agouros da mente e colocou-se a analisar o mundo, a vida e se achar errado, ou errante.


Não havia porque na mudança, se tudo era assim antes, porque não haveria de ser agora? Começou a pensar que era mais uma vez sua depressão de final de ano que se aconchegava, como sempre. A hora em que os balanços da vida profissional eram sempre mais positivos, infinitamente mais positivos, que na vida amorosa. A insegurança sempre achava o caminho e saía das profundezas para atormentar. O mundo cá fora colaborava, colocando caraminholas na cabeça. O outro que não colaborava e fazia questão de provocar. Ok, também havia ciúme.

Deveria viajar, aproveitar mais. Mas estava sempre a trabalhar, tinha sempre algo a fazer. As férias eram um bom período para trabalhos extras, desses que complementam o orçamento. Precisava crescer na carreira. Na verdade, não precisava, ela ia bem, mas queria mais. E nisso tudo juntava as picuinhas, um ser mais teimoso que o outro e as coisas não iam bem. Atormentava os amigos com seus dramas por horas e horas e nem assim encontrava a solução. Já não falava coisa com coisa, perdia-se nos assuntos.

Havia decido. No ano que se iniciava iria dedicar a si mesmo. Iria malhar, sentir-se bem e desejado, iria estudar línguas, viajaria a Europa e, porque não, tentaria umas sessões de terapias. Precisava entender a si mesmo e só poderia fazer isso por si só. Mas a terapia seria uma boa aliada. Analisando-se por si mesmo poderia enganar-se e fazer-se pensar ser o que não era. Seria também menos bonzinho. Nãos hão de sair com mais frequência de sua boca, assim beijos na chuva, pois estava decretado que se entregaria a um amor, desses meio malucos, meio intensos, ou intensos demais ou sem sal e nem açúcar. Que durasse um ano ou meia hora, dane-se!

E assim, sem mais nem menos, assinou tudo o que havia pensado e disse “cumpra-se”.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Se é assim que tem que ser...

Era um dia de cão. Não se sentia bem, não se animava pra nada. Havia começado tudo errado. O “bom dia” já não lhe agradara, porque de fato, de bom nada poderia haver após dormir naquela situação e acordar em outra parecida, quase idêntica.

Não era a primeira vez, não ia ser a última que passava por aquilo e o que mais lhe dava raiva era não se fazer entender. Não conseguir entender como as coisas mudavam da água para o vinho, principalmente para os outros. Ao invés de ligar o foda-se, resolveu compreender. Antes tivesse mandado tudo às favas. Seria menos doloroso, doeria menos na alma.



Conceitos, pudores, frescuras, bobagens e desculpas esfarradas. Eram demais para sua cabeça sagitariana, de certa forma livre de neuras e conservadorismo absurdos. O pior era ler as entrelinhas infundadas e sem provas. Linhas, entrelinhas, malditas formas geométricas. Tornavam-se curvas e embolavam-se nos pensamentos, deixando-os mais entre perdidos do que achados. Era de fato a seção errada.

Talvez tudo tivesse já começado errado em sua origem. Era inconcebível frear uma intimidade conquistada. Em seu mundo – nada fantástico, a seu ver – não era possível que uma liberdade permitida, gozada (diversas vezes e euforicamente), fosse agora jogada pela janela e tivesse que se contentar com apenas um não. Não! Não aceitava.

Mas tudo seria e será de acordo com o que convém. Como fez questão de deixar claro, infinitas e exaustivas vezes, seria como fosse da vontade alheia e não da sua. Não mais seria o mesmo, infelizmente. Não mais brincaria, não mais faria piadas. Que vivesse o mundo da forma como quisesse. Gostava de coisas palpáveis e seu mundo desse jeito iria funcionar. Seu foco agora seria no Eu.

Uma lágrima correu em seu rosto, lembro-o de que era humano. Apertou o x e fechou a janela como parte de um primeiro adeus.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Era o que faltava

do Google

O que mais ouvia das pessoas era “Não vejo a hora que o ano termine!”. Parecia que realmente 2009 não estava sendo muito bom. E não era só pra si. Quer dizer, a princípio o ano não tinha sido de todo mal. Mas de uns tempos para cá parece que o mundo tinha se voltado completamente a ser do contra.

Era impressionando como as coisas aconteciam para os outros e não para ele. Pensou em se benzer. Benzeu-se. Uma, duas, oito, dez vezes. Em rituais diferentes, lugares diferentes. Parecia de nada adiantar. Começou a achar que era inveja ou então macumba da brava. Deviam ter botado seu nome na boca do sapo. Pobre do sapo!

Sentia-se desanimado, descrente... Vai gente dando certo sem esforço nenhum. Indignava-se por dentro, mas faria o que? Não havia com quem reclamar... Reclamava em pensamento, talvez imaginando que um deus pudesse ouvi-los esbravejar e se compadecer... Achou que deus era surdo. Ou quem sabe era ele que teimava em não ouvir ao deus...

Dentro de si, sentia um desejo de mudança, de voltar ao que havia abandonado. A história do arrepender-se apenas daquilo que não fez. E havia deixado de fazer. Havia mudado de idéia no meio caminho, por força das circunstâncias e todas as desculpas mais. E agora, por que o medo de recomeçar de novo?

O mundo custava caro. Quando as coisas pareciam melhorar, não era por muito tempo. Não durou nem uma semana, dez dias... No dia do aniversário, achando que tinha chegado ao fim do inferno astral, uma bomba cai na sua vida. Enfim, tudo se resolve, mas nem sempre a solução é a ideal. Não deixara a explosão estragar muita coisa, mas mesmo assim, o buraco aberto no bolso era grande.

Saiu para beber com os amigos. Divertiu-se. Riu, falou besteiras, sentiu-se melhor. Tinha muitas coisas a dizer, muitas a pensar, poucas respostas. Na verdade, tinha até algumas conclusões, mas faltava-lhe coragem talvez de admitir, meter a cara e começar de novo. A palavra era exatamente essa. Coragem. Sempre mostrou-se forte, com vontade, mas dessa vez falta-lhe exatamente isso. Coragem de dizer que não queria mais aquilo e que, desse certo ou não a nova empreitada, era o que queria e iria ser feliz.

Fazia planos de Europa em 2011 ao mesmo tempo em que fazia planos para mudar de vida em 2010. Faltava resolver mil coisas. Faltava um emprego fixo com bom salário, faltava um custo de vida mais baixo também, impossível no momento. Faltava mandar tudo pelos ares e dizer tchau. Faltava fazer mais planos que o sagitarianismo impedia. Na verdade, faltava era ser mais sagitarianos com ascendente em gêmeos.

Que assim o seja em 2010.